Após uma combinação falhada no fim do Verão passado por motivos de força maior, tão grande que até parti o pulso, lá chegou a altura de concretizar uma volta, há muito desejosa para alguns e sempre apetecível para outro, para mim mais precisamente.
E após confirmação dos participantes (Rafael, Rui, Carlos, Miguel, Luís e múá) a reserva da dormida foi feita, desta vez em Alcanena, pois o complexo de Olhos de água estava lotado para a noite de 30 de Maio. Sem problemas, uma vez que o desvio era curto e apesar de um pouco mais caro as condições também são outras, (o complexo está dividido em camaratas e a IS é colectiva).
Combinado com um mês de antecedência, falámos em dois ou três pontos, pedi aos famosos guarda-rios e limpa-matas que emprestassem os suportes de selim, combinámos um almoço (sim porque tudo tem que ter um motivo e se não houver arranja-se) e entreguei ao Rafael (desta vez sem almoço) para distribuir pela malta os 4 suportes que se angariou, ficando em falta 1 que se resolveu facilmente. Como o filho Miguel levou o Pai Luís (ou foi o contrário?) o Miguel acartou com as coisas do Pai, afinal para que servem tantos anos a criá-los?
Sábado dia 30 de Maio, às 7h30m em Alpriate. Lá estavam todos, ainda antes do horário marcado, tal era a ansiedade, só com um pequeno atraso da minha parte de cerca de 2 minutos. Descarreguei a minha preocupação que o comboio de regresso provavelmente seria o das 19h54 e não das 17h54, conforme aconteceu em 2007, que o gde limpa-matas confirmou no dia anterior com todos os detalhes e precisão, e sem grandes preocupações lá arrancamos por volta das 7h46m31s.
A primeira parte do percurso até à central termoeléctrica do carregado foi feito pelo caminho conhecido, com uma variante a seguir a Vila Franca que na vez de seguirmos a estada nacional até ao Lidl, fomos por um atalho que nos manteve a nascente da linha do comboio e que descobrimos num passeio de Domingo no mês de Abril. E lá continuámos até à primeira dificuldade que nos obrigou a transpor a vedação contígua à linha do Quim e atravessar uma ponte encostado à linha para voltar a transpor a vedação e seguir caminho. Como esse caminho foi um pouco à descoberta, voltou a acontecer um pouco mais à frente. Sem grande stress e com muito boa disposição pelo meio chegámos às lezírias de Santarém onde de forma a cumprir o caminho original passámos por uma caminho muito pouco utilizado por humanos e cheio de gatos, que o diga o Miguel que ficou com as pernas depiladas (exagero, lol) e cheia de pulgas a julgar pela comichão com que ficámos (mais exagero).
Desembocámos junto à quinta do Alqueidão, local onde degustámos em 2007 um belo repasto e que perdurou umas 2h31m34s. Como ainda era cedo, cerca dos 10h42m23s seguimos caminho com a intenção de almoçarmos em Santarém. Uma refeição ligeira, tipo bifana...falava-se. Com o Grande Luís (o cota) a puxar pela malta, chegámos a Santarém por volta do meio-dia e fomos então procurar a tal tasca. “É mesmo aqui”, disse alguém e todos concordaram. Tem sítio para guardar as burras e tudo…o ideal. Lá entrámos e escolhemos: 4 nacos de touro com arroz e ervilhas, 1 entrecosto com arroz de feijão e 1 pernil. Nada mau, para quem queria uma sandocha. Regado com alguma cerveja, vinho, sumos e água, no fim lá tivemos que fazer o brinde da praxe com um shot de ginjinha. Como o pessoal não queria abusar, vai mais um shot. Se não fizéssemos uma viagem de bicicleta com 40 graus à sombra era num copo de galão.
É verdade, tal como em 2007, o termómetro do meu tablier marcava temperaturas na ordem dos 40,2 graus.
À saída de Santarém e na bifurcação do caminho de 2007 com o actual, avistámos um parque de merendas com umas belas sombrinhas e decidimos descansar um pouco, dado o calor excessivo e a barriga pesada. Mais uma atestadela aos bidões, já sem conta, e lá seguimos por um caminho desta vez virgem para todos.
Começou, na minha opinião a parte mais interessante e bela do percurso, com grande variedade de paisagem e o sobe e desce permanente sem dificuldades de maior.
Uma ou duas paragens para comprar petróleo ( a lamparina estava a apagar-se) e fruta literalmente da boa, à medida que nos aproximávamos dos Olhos d´água só pensávamos no mergulho que iríamos dar. E bem dito bem feito, chegados ao local foi vê-los tirar as t-shirts e vai de embute lá para dentro…. Espectáculo!!! Ainda molhadinhos, montámos as burras e pusemos a caminho para Alcanena que ficava a pouco mais de 6.450m e alguns centímetros. A pensão não estava bem assinalada no GPS, mas lá demos com ela, após reconhecimento do Rafael que tinha passado por lá alguns dias antes.
Destacou-se nesse dia, o cota Luís, que recebeu o prémio de montanha, o sprinter, a camisola amarela, o camisola verde, a azul, a dos quadradinhos, a rosa, enfim todos os reconhecimentos que são atribuídos aos ciclistas, conforme realçou o Rafael (prémio rookie, não por ser o mais novo, mas o que precisou de mais mimos (lol)).
Entrámos com as bicicletas pelo café Planeta adentro, oleamos as gargantas e subimos para os quartos tomar o banhinho e perfumar o corpo para o merecido jantar.
No nascer do sol já o galo tinha cantado uma dezena de vezes, as suficientes para o Rui adorar almoçar um arrozinho de cabidela. Às 7h30m já estávamos a tomar o pequeno almoço, numa pastelaria local.
Entretanto e a caminho do percurso traçado em Google Earth , que nos iria levar a Monsanto, avistámos uma placa do caminho que seguimos e ainda bem que o fizemos, não apenas por termos encurtado caminho, mas porque o que iríamos tomar era por estrada e pouco interessante ao invés deste. Fomos dar ao campo de tiro local, que tem um magnífico miradouro, tirámos umas fotos e continuámos para o meu troço favorito (treta). Um avisador indicava que BTT seguia pela estrada, mas nós homens com “S” maiúsculo, desafiámos a natureza e como Jesus quando carregou a cruz às costas, nós fizemos o mesmo com as nossas bikes e subimos a encosta com cerca de 981,89m mais Quilómetro menos Quilómetro. “Um verdadeiro martírio”, diziam uns, “mandem-me um murro a próxima vez que eu falar em Fátima”, diziam outros, “embora lá rapaziada” incentivavam outros. Certo é que chegámos lá acima com uma história para contar.
E como o sacrifício tem sempre beneficio, fizemos uma single track simplesmente espectacular, que nos faz querer fazer esta volta para o ano, que acaba em Minde.
Ainda deliciados com a descida avistámos um grupo de bttistas organizados pelos Maníacos do pedal, com quem nos cruzámos no café do mercado e que se encontravam a fazer a mesma volta que nós, com um itinerário ligeiramente diferente.
Preparámos a subida com muita concentração e afinco e lá transpusemos a famosa serra de Minde. A partir daí e até Fátima realça-se a vista de um moinho privado que visitámos e um furo que o Luís teve mesmo à chegada, mas sendo lento, encheu-se e toca a arrufar. Mais uma paragem técnica à chegada a Fátima e fomos ter com a Família do Carlos e do Luís, com quem almoçamos no Cantinho de S.Valentim (restaurante de família).
Entretanto e como nos despachámos cedo, eu, o Rui e o Rafael fomos para a estação de Fátima, que fica a qualquer coisa como 26.245m, tentar apanhar o Quim das 17h54m, feito conseguido, com a presença do Miguel que estava à nossa espera na estação, a família deixou-o lá. Saímos em Alverca e por volta das 20h30m estava em casa, fresquinhos que nem uma alface.
Ficámos todos satisfeitos, tudo correu bem, sem acidentes e incidentes e penso que estamos todos desejosos de repetir a façanha no próximo ano, dessa vez com os que por isto ou por aquilo queriam, mas não puderam nos acompanhar. Oportunamente, serão registadas fotos, tendo sido já divulgado o track, peraí traque????
Saudinha
José Alexandre Silva, o compadri
TODAS AS FOTOS NO PICASA :
http://picasaweb.google.pt/josealexss/Fatima30maio2009?feat=directlink