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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A história do Caminho na da "Iberia"

Com mais um pouco de história do Caminho, que está entrelaçada com a própria História da Península Ibérica, queremos dar a conhecer alguns pormenores (e algumas... Lendas), deste grande movimento de massas católico/pagão ou ateu, que se desenrola desde há muitos séculos, mantendo a tendência de crescimento denotada ao longo dos anos.

Honra seja feita às sucessivas ordens que organizam e dinamizam tal "projecto", unidas, conseguem manter e incrementar o enorme sucesso deste ícone religioso e turístico, que tomou proporções incontornáveis na população mundial a nível sócio-cultural.

SantIago Mayor, “O mata-mouros”. - Lenda?...

A ligação de Santiago (SantIago Mayor) e Compostela (campo da estrela; Campus Stellae) já vem de longe.
Por milagre, terá sido encontrado num campo um túmulo, sobre o qual reluzia uma estrela. Nesse túmulo estavam os restos mortais do Apóstolo SantIago Mayor.
É no reinado de D. Afonso II, o Rei Asturiano que por volta do ano 812 se dá tal descoberta, que muito viria a impressionar todos os povos cristãos com influência relevante nos Hispânicos.
Os Reinos cristãos da península Ibérica da idade média, usaram a força desse milagre como incentivo para as batalhas contra os mouros, facção dominante à época, na região. Batalhas houve, em que além de “iluminados” pelo Apóstolo, os Nobres cavaleiros da corte e os seus peões terão tido a “ajuda” de SantIago, que para mais de bom pregador, era um bravo lutador. Das míticas confrontações com os muçulmanos, que sob o “olhar e protecção” do Apóstolo, os cristãos saíram vencedores, surgiu a expressão: - “Santiago – O mata-mouros”.
Aludindo a tais vitórias, o “mui” piedoso e astuto Rei Asturiano, fundou um primeiro santuário nesse campo da estrela sobre o que se julgava ser o sepulcro de Santiago. Local onde mais tarde se ergueria uma Catedral.
A importância dada pelos cristãos ao culto de Santiago o Apóstolo, e a força por estes usada nas batalhas contra os mouros, por via da descoberta do seu túmulo, faz com que o poderoso chefe militar Árabe, Almançor (o vitorioso), considerado por volta do séc. X, o “terror dos cristãos”, passasse a ter como principal objectivo a destruição da cidade e do sepulcro, fonte de inspiração nas batalhas contra ele movidas.
Com o abandono da cidade em 997, já que apenas um monge ficou para trás, com o intuito de proteger e guardar os restos mortais do apóstolo, Almançor reconquistou-a, destruindo-a por completo, ficando daí a máxima: - “Não restando pedra sobre pedra”. Misericordiosamente, poupa o sepulcro de Santiago. Diz-se que dos despojos só restaram os sinos do templo, que foram transportados até Córdoba por escravos cristãos de Almançor. E que só depois de conquistada tal cidade pelos cristãos, terem regressado, carregados até Compostela por escravos mouros ao serviço dos Reis católicos.
Entre avanços e recuos, reinicia-se a expulsão definitiva dos povos hostis ocupantes da península. Em pequenos avanços, batalha após batalha, até ao reagrupamento dos Mouros no reino de Granada (Zirias), pouso final dos povos do norte de África, que durante séculos ocuparam a “Ibéria”.
Com a batalha de 1492 dá-se o fim de uma guerra em que finalmente os Reis Católicos derrotam o Reino Árabe liderado pela dinastia muçulmana Nazari. No entanto, a expulsão definitiva de todos os mouros granadinos só ocorre em 1571, no reinado de D. Felipe II, com a sublevação das Alpujarras. Termina assim o domínio dos muçulmanos na península, que nesta ultima fase, protegidos pelas zonas montanhosas da “Sierra Nevada”, dominaram terras que bem conhecemos, como as de Granada, Málaga ou Almeria, e que tiveram como ícone simbólico a fortaleza de Alhambra, hoje importante marco turístico/cultural de Espanha.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

...E a saga continua... (1) - O inicio da História

Ah pois é...

Julgavam que se livravam de nós?

"Isto" ainda agora começou!

Vou encetar por aqui (e daqui), a exposição de algumas partes duns determinados "escritos" que tenho andado a compor desde... Algum tempo a esta parte... E que se referem a uma certa Viagem ou peregrinação que certos "indivíduos" executaram aqui "àtrasado", vamos lá ver, e para sermos mais rigorosos, em Agosto de 2006.

Pois é...
Dessa viagem nasceu a vontade de contar aos interessados, mas principalmente aos nossos futuros netos as peripécias que os loucos dos avós deles andaram a fazer, sim, porque quando lá chegarmos a ideia de tal viagem será por certo considerada uma loucura tremenda, na medida em que, se calhar por essa altura "futurista" cidadão algum se atreverá sequer a sair de casa, para evitar todos os malefícios dessa época, alguns dos quais vão proliferando a grande velocidade por agora. Falo de "coisas" como o aquecimento global, e outras que tais.

É...
Mas vamos a coisas mais alegres. Pelo menos para mim, a quem deu um gozo tremendo escrever, e estou certo que ao Ricardo, ao qual não deu menos, o prazer de relembrar e rever rindo tal aventura que queremos repetir...

É, Pois, ah...
Repetir, mas só depois de realizados os trezentos e noventa e seis projectos que temos em mente, e dos quais vos vamos pondo ao corrente por aqui!

Ah... É... Pois...
Conversa de "surdos". Mas é um pouco assim que vai andar a tal "saga" de que vos falava, lembram-se? Desta vez vamos começar pelo inicio da História. - A História de quê?

Pois! É? Ah!!!
A nossa Peregrinação a Santiago de Compostela pelo Caminho Francês.... Então cá vai... Um pouco da História do CAMINHO.

-TAKE 1, Primeira!

Os caminhos ditos originais, ou os mais antigos, foram-se popularizando através do volume de circulação e da importância que adquiriram a nível sociocultural e principalmente comercial, acabando por se impor como trajectos cruciais para as gentes da época. Muitas vezes essa importância também era dada por interesses religiosos. Não nos podemos esquecer que o Caminho tem referências muito longínquas. Se nos reportarmos a exemplos ligados à História de Portugal, podemos lembrar que os primeiros peregrinos ilustres antecedem a própria História, pois os pais de D. Afonso Henriques, os condes, D. Henrique e D. Teresa deslocaram-se em Peregrinação no ano de 1097 a Santiago, entretanto tornado sede de bispado, por troca com Iria (ex Flávia Iria) no Império Romano, para onde, no “muy” longínquo ano de 44, e depois de degolado, por ordem de Herodes Agripa, São Tiago foi levado. Daí, e até ao ano 300, altura em que o seu túmulo é escondido por ordem dos imperadores Romanos, Valeriano, e mais tarde Diocleciano, era visitado por cristãos que o inseriam no culto dos túmulos dos santos. Durante mais de cinco séculos o túmulo esteve incógnito, até ser descoberto em 812/813, no reinado do rei Asturiano, D. Afonso II. É através deste monarca que é restaurada a sede episcopal de Iria Flávia.
Com toda esta história perpetuada pelos tempos, a importância e evidencia dos Caminhos percorridos por algumas figuras da nossa História como, Papas e Reis referenciados desde D. Afonso II (neto de D. Afonso Henriques), a D. Manuel, passando pela Rainha Sta. Isabel, dá lugar a vias de acesso principais, que ao longo dos tempos foram divulgadas melhoradas e alargadas.
Nos dias de hoje, quase todos esses “trilhos” originais deram lugar a estradas nacionais e em muitos casos a auto-estradas. Essa evidência é muitas vezes comprovada, quando passamos nessas vias, onde se vê assinalado por grandes placas amarelas e azuis a presença do Caminho de Santiago, entretanto tornado “Itinerário Cultural Europeu” em 1987.
Houve portanto a necessidade de criar caminhos alternativos, para que os peregrinos não circulassem nessas ditas vias rápidas, o que, como é de supor se tornaria muito perigoso e realmente pouco atractivo.
É preciso termos consciência que hoje em dia quando se faz o Caminho de Santiago por caminhos pedonais guiados pelas setas amarelas, não quer dizer que se estejam a pisar terrenos peregrinantes originais, da mesma forma que quando se circula pelas estradas nacionais, como muitas vezes foi o nosso caso, se esteja fora do Caminho. Antes pelo contrário!

Acrescento, e para que seja feita justiça, que tais ideias são convictamente defendidas pelo meu colega de peregrinações: - Ricardo Rosa, o Dezoito!

Eu pessoalmente estou cada vez mais associado aos Caminhos de Santiago, mas ganhei um gosto especial pelos trilhos que, não sendo os originais, foram criados como alternativas válidas e legítimas.